A Fitch desiludiu nesta sexta-feira aqueles que esperavam que
Portugal pudesse ter uma das três principais agências de notação
financeira do Mundo a colocar o seu
rating fora da zona classificada como “lixo”.
O rating atribuído à Republica
portuguesa pela Fitch manteve-se, anunciou a agência, em “BB+” com
tendência positiva. Havia a expectativa entre vários analistas que a
classificação pudesse ser alterada para B-, o que significaria que os
títulos de dívida pública portugueses voltariam a ter um estatuto que
aconselhava ao investimento.
A Fitch, contudo, considerou que este
ainda não é o momento para dar a Portugal esse atestado de confiança.
Na nota divulgada à imprensa, a agência até elogia a evolução registada
em Portugal nos últimos meses. Diz que a economia está mais equilibrada,
que o mercado de trabalho está a melhorar marcadamente e que as
condições de acesso aos mercados são agora muito mais favoráveis.
No
entanto, a Fitch assinala que “emergiram riscos económicos e
orçamentais”. A preocupação da agência está, por um lado, na capacidade
de o Governo, depois dos chumbos do Tribunal Constitucional e dos sinais
de abrandamento da economia, cumprir as metas orçamentais, tanto este
ano, como no próximo. A previsão da agência para o défice de 2015 é de
3%, em vez dos 2,5% prometidos pelo Governo.
Por outro lado, é
também assinalado que a taxa de inflação está em terreno negativo já há
muito tempo, o que aumenta o perigo de deflação e o consequente impacto
negativo nas dinâmicas da dívida pública e privada.
Por fim, a
Fitch diz que “embora a resolução do BES tenha sido conseguida de forma
suave, aumentou as dúvidas sobre a força intrínseca do sector bancário”.
A
saída de um nível "lixo" por parte da dívida pública portuguesa poderia
ser importante para a capacidade do Estado português obter
financiamento no mercado uma vez que existem alguns investidores
institucionais, como fundos de pensões, que têm regras internas que
limitam a sua capacidade para adquirir esse tipo de títulos. Para além
da Fitch, também a Moody’s e a Standard & Poor’s atribuem um
rating de "lixo" a Portugal. A canadiana DBRS atribui um
rating um grau acima desse nível.
fonte publico.pt